segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Feliz 2014?

foto_ricardo_amorim Feliz 2014?
Postado em Artigos | Istoé

Revista IstoÉ
10/2013
Por Ricardo Amorim

Mudanças acontecem de duas formas: quando escolhemos ou quando não há escolha. Infelizmente, a segunda é bem mais comum. Se os europeus tivessem controlado seus gastos antes da crise de 2008, escolas e hospitais não seriam fechados agora.

Por aqui não é diferente. Mudanças econômicas profundas  ̶ como a Lei de Responsabilidade Fiscal, a renegociação da dívida de Estados e Municípios, a autonomia do Banco Central  ̶  só aconteceram quando estávamos à beira da falência. Passado o medo do colapso, foram todas enfraquecidas nos últimos anos.

Sem crises, políticos não têm coragem para adotar medidas imprescindíveis, mas impopulares. Exemplo: aumentar a idade mínima para aposentadorias. De 2004 a 2010, o PIB brasileiro cresceu a um ritmo de quase 5% a.a., 2,5 vezes a média dos 25 anos anteriores. Só foi possível por ajustes econômicos feitos antes, um forte crescimento na procura global por matérias primas que exportamos, e uma grande queda do custo de capital no mundo. Este modelo de desenvolvimento baseado na expansão da procura tanto externa quanto doméstica pelos nossos produtos e serviços está esgotado. Nos últimos 3 anos, voltamos à média histórica de crescimento do PIB de apenas 2% a.a.

Dois fatores que ajudaram o crescimento acelerado de 2004 a 2010 acabaram: incorporação de mão de obra ao mercado de trabalho e maior utilização da infraestrutura existente. O desemprego já é o mais baixo da história e o gargalo da infraestrutura é visível. Para sustentarmos um crescimento mais rápido, só investindo muito em qualificação de mão de obra, máquinas, equipamentos e infraestrutura. A China, que cresce 3 a 4 vezes mais rápido que o Brasil, investe em sua infraestrutura, a cada 3 meses, o equivalente a todo o estoque de infraestrutura existente no Brasil.

Se você estivesse concorrendo à reeleição e, a menos de um ano das eleições, as pesquisas indicassem sua vitória com uma folga razoável, você faria grandes mudanças na política econômica? A Dilma também não.

O que esperar da economia em 2014? Sem uma nova crise externa, o PIB deve crescer cerca de 2%, os juros subirão para impedir que a inflação aumente e o dólar cairá ao longo do ano.

Por outro lado, se uma desaceleração dos estímulos monetários nos EUA deflagrar o estouro de bolhas de ativos pelo mundo, a recuperação da economia chinesa for abortada, ou novas crises financeiras pipocarem na Europa ou nos países emergentes, nosso crescimento será próximo de nulo e, temporariamente, o dólar subirá ainda mais, pressionando a inflação.

Em síntese, O Brasil terá, na melhor das hipóteses, um 2014 medíocre. Na pior, estagnação. Felizmente, algumas regiões e setores terão um bom desempenho. O Norte, Centro-Oeste e o interior do país crescerão mais, impulsionados pelo vigor do agronegócio e da mineração. Idem para o Nordeste, onde a emergência de novos consumidores continuará forte. Setores de serviços, comércio e imobiliário também crescerão mais do que o PIB, beneficiando-se da expansão de renda e crédito, e da falta de concorrência estrangeira, ao contrário da indústria.

Pelo 11º ano consecutivo, a produção industrial deve expandir-se menos do que as vendas no varejo. Continuaremos a consumir mais do que produzimos. Em algum momento isto ficará insustentável e deflagrará uma nova crise que forçará as mudanças que poderíamos ter feito antes, por escolha própria, em condições muito mais favoráveis.

Ricardo Amorim
Economista, palestrante, apresentador do programa Manhattan Connection da Globonews e presidente da Ricam Consultoria.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Teimosia Empreendedora

Tom Coelho foto oficial

Teimosia Empreendedora
Por Tom Coelho

“Em uma empresa, a despesa é sempre uma certeza;

a receita, uma pretensão.”

(Oriovisto Guimarães)


Segundo o mais recente levantamento divulgado pelo Sebrae-SP, 27% das empresas abertas no Estado de São Paulo encerram suas atividades antes de completarem um ano de vida. Este índice, também chamado de taxa de mortalidade empresarial, sobe para 58% no caso das companhias com cinco anos de fundação.

Esta estatística é um reflexo claro da baixa competitividade das empresas brasileiras em virtude de diversos fatores.  A baixa produtividade é um deles, em grande parte uma consequência direta da desqualificação dos trabalhadores, uma vez que a educação em nosso país é claudicante. Daí decorre o famigerado “apagão da mão de obra”, exigindo por parte das empresas ações permanentes de treinamento e desenvolvimento de seus funcionários.

A mesma produtividade é comprometida também por questões de infraestrutura. Do ponto de vista corporativo, representado por máquinas e equipamentos obsoletos, além de práticas de gestão retrógradas. Do ponto de vista macroeconômico, pela ineficiência de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. Segundo o Relatório de Competitividade Global, elaborado pelo Fórum Econômico Mundial, o Brasil caiu do 48º para o 56º lugar dentre 148 países no índice global de competitividade.

Também é preciso considerar o custo financeiro, que em nosso país é o maior de toda a América Latina, segundo estudo da consultoria Deloitte. Assim, temos um empresariado despreparado, descapitalizado e que toma recursos no mercado com taxas de juros de até 150% ao ano!

Mas nada supera a desfaçatez da estrutura tributária brasileira. Segundo o Portal Tributário, são 90 diferentes tributos, entre impostos, taxas e contribuições, cobrados pelas três esferas de governo, num sistema complexo e oneroso que estimula a informalidade da economia e não devolve à sociedade os serviços básicos por ela demandados.

Aliado a isso, temos a burocracia. Segundo o relatório anual Doing Business, do Banco Mundial, o Brasil é o 116º colocado entre 189 países que apresentam melhores condições para empreender. Para iniciar um projeto são necessários 13 procedimentos em nosso país contra apenas três, em Singapura. Se apenas um funcionário cuidasse dos impostos de uma empresa no Brasil, gastaria 2.600 horas, contra 82 horas em Singapura.

O regime de tributação denominado Simples Nacional, proposto para, como diz sua própria denominação, simplificar a vida tributária de um empreendedor, não cumpre com sua prerrogativa básica. Por exemplo, devido à guerra fiscal, diversos municípios exigem que uma empresa seja cadastrada localmente apresentando cópias autenticadas de documentos, comprovação de despesas com telefonia e energia elétrica e até mesmo fotos do estabelecimento comercial sob pena de retenção de ISS na fonte, numa afronta direta à legislação federal. Imagine uma empresa ter que adotar tal procedimento em cada um dos 5570 municípios existentes no país?

Dentro deste contexto, empreender no Brasil é atribuição de gente corajosa, obstinada, criativa, persistente e... teimosa! Àqueles que conseguem escapar das estatísticas de mortalidade empresarial, que o espírito realizador lhes permita celebrar decênios de fundação e que nossa nação se torne mais amigável aos empreendedores no decorrer dos próximos anos!

* Tom Coelho é educador, conferencista e escritor com artigos publicados em 17 países. É autor de “Somos Maus Amantes – Reflexões sobre carreira, liderança e comportamento” (Flor de Liz, 2011), “Sete Vidas – Lições para construir seu equilíbrio pessoal e profissional” (Saraiva, 2008) e coautor de outras cinco obras. Contatos através do e-mail tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite: www.tomcoelho.com.

Para sair do mailing responda com "remover".

quinta-feira, 16 de maio de 2013

FAZER AMOR

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Fazer Amor

Por Carmen Janssen

Outro dia em uma conversa, estávamos falando sobre esta frase tão bonita. Lembro-me de ter dito que fazer amor é muito mais do que apenas uma frase ou um ato.

Em minha opinião, fazer amor é compartilhar a vida a dois, principalmente quando surgem as dificuldades, porque as alegrias são fáceis de serem compartilhadas.

Fazer amor é ter um projeto onde ambos estejam envolvidos. É desejar do fundo do coração que o outro seja feliz e ajudá-lo sempre que for necessário.

Fazer amor é respeitar a individualidade do outro sem ficar controlando tudo o que ele faz, pois em muitos casos, o controle vem disfarçado de “cuidado”. Fazer amor é confiar, é respeitar o espaço e os hobbies do outro. É entender que ninguém é a metade de ninguém, pois somos seres completos.

Fazer amor é cuidar diariamente da pessoa que amamos nas pequenas coisas e com atitudes sinceras de afeto. É desejar saber como foi o seu dia. Fazer um “cafuné” na pessoa amada. É beijar-lhe todos os dias e se tiverem brigado, pelo menos se lembrar de dizer boa noite.

É ter a humildade de pedir perdão pelas palavras duras que às vezes dizemos, quando estamos irritados e paciência para ouvir o outro lado.

Fazer amor é buscar o prazer de estar juntos para compartilhar atividades que agrade a ambos. É respeitar as diferenças e aprender com elas, afinal estamos sempre aprendendo.

Fazer amor é manter-se motivado para expressar afeto e erotismo com gestos ou com palavras, à medida que a relação amadurece, pois esses dois aspectos são as bases de um relacionamento amoroso.

Diante de tantos projetos que temos na vida, tais como o trabalho, problemas que surgem e responsabilidades, fazer amor é esforçar-se para reservar um espaço na agenda para desfrutar da presença do outro na intimidade sexual.

Fazer amor é permitir-se, entregar-se de corpo e alma à pessoa amada. É também respeitar o corpo do outro e os seus limites, pois quando forçamos uma situação, não estamos fazendo amor, mas desrespeitando a outra pessoa. É bom lembrar que não somos propriedade de ninguém, além de que, não viemos ao mundo para satisfazer os desejos das outras pessoas. Quando temos autoestima, fazemos amor com dignidade, preservando a nossa integridade.

E finalmente, fazer amor é também expressar o seu desejo sexual e ter interesse e sensibilidade para entender a subjetividade erótica do outro. É sentir, admirar e desfrutar o cheiro, o calor, o gosto, os sons e as formas da pessoa amada, conectando-se e identificando-se com ela. É iluminar o ato sexual com o brilho afetivo do encontro. E você? O que acha?

Entre tantas outras maneiras que temos de manifestar o amor, fazer amor é investir no relacionamento, é acertar, errar e tentar de novo.

Carmen Janssen - Escritora e palestrante internacional. Vasta experiência em qualidade de vida da mulher e em treinamento e desenvolvimento de pessoas como empresária e educadora. Atua na área há 20 anos. Conferencista convidada em congressos internacionais. Já esteve na Espanha, França, Portugal, Colômbia, Argentina e Peru. Pedagoga e sexóloga, pós-graduada em pedagogia empresarial (Andragogia). Título TESH/SBRASH – especialista em sexualidade humana, psicanalista, Master Practitioner em Programação Neurolinguística e coach de vida de mulheres. Docente dos cursos de pós-graduação Lato Sensu do Instituto Brasileiro Interdisciplinar de Sexologia e Medicina Psicossomática/PUC em São Paulo. Seu trabalho é destaque nos principais programas da televisão brasileira. Foi Consultora de Comportamento do programa Hoje em Dia da TV Record. Produtora de conteúdo e formadora de opinião é colunista do jornal Folha de Campinas. Milhares de mulheres já assistiram as suas palestras. Tem participado em projetos importantes com ações voltadas para a saúde e o bem estar da mulher e da família. Como Coach também é procurada por atrizes e celebridades de várias redes televisivas. Autora de dois livros de sucesso sobre saúde preventiva e sexualidade e co-autora do livro Damas de Ouro, onde conta sua história inspiradora de aprendizados e superação na sua forma de liderar como empresária.

Tráfico de Mulheres: o lucro do silêncio

antonia braz

Tráfico de Mulheres: o lucro do silêncio

Por Antonia Braz

De acordo com um estudo nacional divulgado recentemente pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), o tráfico de pessoas é uma das atividades mais lucrativas do mundo e movimenta aproximadamente US$ 32 bilhões por ano. Mesmo assim, ainda é ausente no Brasil uma lei especifica sobre antitráfico, são apenas artigos dispersos no Código Penal.

As principais vítimas que sofrem essa brutalidade têm características comuns: uma história de vida triste e de exploração aliada à necessidade financeira. A Pestraf (Pesquisa Nacional sobre o Tráfico de Mulheres, Crianças e Adolescentes), realizou um estudo em 2002, onde mapeou 241 rotas de tráfico de pessoas para fins de exploração sexual no Brasil: 131 internacionais, 78 interestaduais e 32 intermunicipais.

Mesmo com todos esses dados alarmantes, o assunto sempre foi um tabu, que conseguiu ser quebrado através da atual novela das 21h da Rede Globo, “Salve Jorge”. A autora Glória Perez narra em sua trama a história de garotas traficadas e de como age a quadrilha responsável pela violência.

A novela popularizou o assunto, mas a verdade é que ele sempre existiu de maneira invisível aos olhos da sociedade. Desde 1533, quando negros africanos chegaram ao Brasil para fins laborais, já conta como tráfico humano e essa história, apenas, vem se remodelando.

O último levantamento do Departamento Penitenciário Nacional, ligado ao Ministério da Justiça, aponta que em junho de 2012 havia apenas 78 acusados de tráfico humano – interno e internacional – entre os quase 550 mil presos nas cadeias brasileiras.

Um dos motivos apontados pela baixa punição e a dificuldade em conter o crime é abordado pela psicóloga Anália Belisa Ribeiro, ex-coordenadora do Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas da Secretaria Estadual da Justiça e da Defesa da Cidadania, em entrevista à Marie Claire Online, que a maior parte das vítimas passam pelas rodovias, onde não há nenhuma fiscalização.

Outra questão é a mistura entre tráfico de pessoas e prostituição. O Protocolo de Palermo (2004), que baliza ações contra esse tipo de crime, define o tráfico como "o recrutamento, o transporte, a transferência, o alojamento ou o acolhimento de pessoas, recorrendo à ameaça ou uso de força ou a outras formas de coação, ao rapto, à fraude, ao engano, ao abuso de autoridade ou à situação de vulnerabilidade". Para os críticos, o texto enquadra toda prostituição, forçada ou voluntária, como forma de escravidão sexual.

A discussão é complexa. Uma rápida comparação para fácil entendimento sobre as estatísticas do tráfico humano é que, as chances de condenação pela prática deste delito são tão baixas quanto à possibilidade de ocorrência de homicídios na Islândia ou sequestros na Noruega – nações conhecidas por estar entre as mais seguras do planeta. Se pensarmos na construção sócio, histórico e cultural das mulheres, elas sempre foram vistas como “objetos”. A submissão, o machismo e a “coisificação da mulher” tornam o aliciamento delas pelas quadrilhas de tráfico humano um alvo mais fácil. Quando falamos em travestis e transexuais, é ainda pior, porque eles são tratados como subcategoria de “coisas”.

Com o assunto a tona, um maior número de denúncias e investigações, também é preciso começar a pensar na reinserção dessas mulheres traficadas ao seu ambiente natural e no convívio social. Isso envolve os trabalhos de equipes multidisciplinares, que buscam resgatar a autoestima e trabalhar a volta dessa mulher no mercado econômico, pois muitas delas sentem culpa pelo acontecido e tem dificuldade em retomar a vida.

Antonia Braz

Palestrante, Educadora, Especialista em Gestão de Pessoas, Psicopedagoga e Pedagoga