
DESAFIOS HUMANOS PARA A SUSTENTABILIDADE EMPRESARIAL
Por Sérgio Hage
Trataremos aqui dos questionamentos de uma mente inquieta pela busca da excelência na vida, em suas múltiplas vertentes e, em especial, no ambiente empresarial. Para tanto temos, nos posicionado na condição de observador movido pelo desejo de repensar atitudes para que saibamos, não apenas desenvolver freneticamente novas competências, mas, essencialmente, saber como utilizá-las com sabedoria e com a arte necessárias para que as conquistas sejam realizadas de forma integral – aquelas que vêem acompanhadas da paz e da alegria que estimulam o nosso “prazer de viver”. Com este propósito temos caminhado pelo ambiente empresarial, com a percepção focada na observação dos fatos, procurando compreender as motivações humanas mais íntimas que estão por trás do seu comportamento visível, assim como também nos posicionando atento aos procedimentos idealistas x práticas reais nas organizações. Nesta busca persistente temos percebido que a grande maioria das pessoas nas empresas e, provavelmente, também em suas vidas, vem subutilizando sua capacidade criativa e produtiva em razão da falta de competência para lidar com os desafios humanos, em especial os desafios da convivência. Alteridade é a arte de admirar e aproveitar as diferenças e essa é uma virtude ainda embrionária nas organizações humanas predominantemente dominadas pelo egocentrismo, personalismo, orgulho e ambição desmedida. A qualidade tão proclamada encontra-se desfigurada em seus aspectos humanos comprometendo resultados de forma dramática, apesar de todos os esforços dos grandes pensadores sobre gestão humana nas empresas. Teorias e mais teorias vem se sucedendo e produzindo mais modismos do que resultados de fato. As empresas buscam prospectar no mercado para encontrar seus talentos, mas, via de regra, eles estão escassos nos quesitos humanos principais, tais como: Competência para desenvolver e liderar equipes, equilíbrio e discernimento para avaliar e agir, disposição para assumir riscos, segurança e responsabilidade para decidir, visão estratégica e positiva do futuro, entusiasmo pelo que faz, saúde e vitalidade para os enfrentamentos naturais da competitividade, pensamento criativo, disposição para aprender com resultados, comunicação simplificada e efetiva, dentre outros. Tecnicamente muito bem preparados, mas humanamente carentes das qualidades desejadas que os tornem psicologicamente robustos para liderar e ser verdadeiramente admirados. Nossos valores de gestão, na prática, estão deturpados por falta de maturidade e também das virtudes humanas essenciais, que por sua vez são menosprezadas e desmerecidas na hora das avaliações e valorização dos profissionais que lhes procuram praticar. Precisamos formar seres humanos melhores e lhes dar apoio verdadeiro neste aprendizado. O equívoco de avaliação para praticar a “arte de conquistar resultados” é uma constatação que precisamos ter coragem e atitude firme para enfrentar com honestidade, agilidade e criatividade. Medo de desfrutar suas férias e perder a posição ocupada, medo de rejeitar uma “oportunidade” e ser taxado de pouco ousado e carente de espírito empreendedor, medo de ousar emitir uma opinião que contrarie o senso comum ou discordar de posições hierárquicas superiores, priorizar o trabalho e nunca a saúde mesmo diante das mais justas necessidades, medo de demonstrar sua sensibilidade humana e ser considerado fraco, medos e mais medos. O nosso ambiente profissional vem estimulando temores que desfiguram as verdadeiras finalidades da vida e da convivência em níveis superiores. Não há como mudar, sem o firme propósito de rever nossas “verdades”. Poderíamos ilustrar essa abordagem com inúmeros outros exemplos práticos, entretanto, o artigo se tornaria um tanto longo e provavelmente comum para muitos dos leitores, já que constatações como as aqui exemplificadas estão por aí, acontecendo de forma farta. Temos encontrado mentes brilhantes mal aproveitadas e esgotadas por conflitos improdutivos. As emoções estão confusas e fragilizadas pela falta do afeto e da tranqüilidade psicológica no ambiente de trabalho. Pessoas desencantadas pelos embates e frustrações freqüentes, especialmente no âmbito dos relacionamentos. Depressão, ansiedade, stress por causas diversas, etc., são distúrbios da consciência, nem sempre declarados ou explícitos, embora atuantes no íntimo das pessoas antes de se tornarem graves, e isso se constitui num poderoso inimigo silencioso que, enquanto não for definitivamente e competentemente enfrentado, continuará roubando a energia produtiva e o prazer de viver das pessoas. O respeito à vida e os cuidados com a saúde são postos em últimos planos de prioridade, e isso parece até ser admirado, como exemplo de comprometimento profissional, por consciências doentias ocupando de forma nociva e equivocada, as posições de poder que deveriam ser exercidas com sabedoria e desejo de facilitar o bem estar e o aproveitamento equilibrado dos talentos humanos que lhes são colocados sob a responsabilidade de cuidados indispensáveis ao sucesso da empresa. Continuamos diante de antigos desafios exigindo novas atitudes. Quando será que, de fato, as pessoas serão tratadas como “O valor máximo de uma organização”? São muitos os termos acadêmicos e títulos pomposos aos quais as empresas rendem suas homenagens, entretanto as atitudes mais simples de grandeza e valor humano ainda são esquecidas na maioria das vezes. Como sugestões de solução podemos começar, por exemplo, pelo desenvolvimento da “arte do diálogo entre as equipes de trabalho”. Reuniões sucedem a reuniões e soluções são postergadas porque o que deveria ser um dialogo produtivo e amigável daqueles que precisam lutar pelos mesmos objetivos, transforma-se, muitas vezes, em debates de vaidades e pontos de vista personalistas, quando não se perdem em discussões agressivas e deslealdades que contrariam os propósitos e resultados desejados. Devemos cuidar das pessoas, por exemplo, desenvolvendo técnicas de laboratório humano para o aprendizado sobre como criar soluções compartilhadas e fundamentadas por preceitos superiores da convivência. Estes são pequenos exemplos de ações que devem se revestir de valor institucional estratégico e integrado ao planejamento de resultados, para que possamos, de fato, gerar possibilidades para que nossas empresas se transformem em ambientes com elevado valor para as nossas vidas - Um lugar onde a competência seja aliada da alegria, um lugar onde se exercite de forma equilibrada a arte para conquistar & usufruir.
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