A vida na encruzilhada
Por Tom Coelho
"Não espere por uma crise para descobrir
o que é importante em sua vida."
(Platão)
Invariavelmente você passará, e mais de uma vez no decorrer de sua vida, por
dilemas acerca dos caminhos a seguir em busca da tão almejada felicidade.
São situações únicas nas quais escolhas precisam ser feitas, decisões devem
ser tomadas e a protelação apenas alimenta e aumenta a angústia, a
ansiedade, a frustração e a insatisfação.
Nestas ocasiões, é comum declarar não saber o que se quer. Decerto, os
primeiros questionamentos são com relação ao sentido da própria vida,
levando ao entendimento de que se trata de uma "crise existencial", na qual
imperam o vazio e o caos.
O fato é que este é um momento singular para grande reflexão pessoal a fim
de identificar, reconhecer e enfrentar esta crise. É hora de questionar
valores, encontrar novas referências, compreender transformações, acolher
mudanças ou promover rupturas. Você controla seus pensamentos, amadurece
suas emoções e decide sair da zona de conforto, abandonando o comodismo e o
conformismo, buscando soluções para seus problemas em lugar de culpados.
Por se tratar de um processo, não é algo que será resolvido em um único
final de semana. Por isso, é importante ter paciência e dar tempo ao tempo.
Interprete esta fase como um período de aprendizado que poderá levar você ao
crescimento, à evolução e à superação.
Lembre-se de formular muitas perguntas - e buscar respostas para a maioria
delas. E embora as tais respostas devam vir de você mesmo, convém consultar
terceiros, porém com parcimônia, pois respostas desencontradas podem mais
desorientar do que ajudar.
Saber o que não quer, também é um grande progresso. Assim é o estudante
diante da escolha de qual carreira seguir, que embora frente a múltiplas
possibilidades, tem ao menos a convicção de que selecionar Administração
exclui Medicina, uma inclinação ao Direito enfraquece a opção por
Engenharia, e vice-versa.
O profissional em transição de carreira pode ter dúvidas entre pedir
demissão e procurar outra empresa, tornar-se consultor, abrir um
empreendimento próprio, fazer um concurso público ou mesmo tirar um período
sabático para reflexão. Mas será um grande avanço saber que não pretende
continuar em seu atual emprego, posto que desestimulado seja pela falta de
desafios, oportunidades, reconhecimento ou clima organizacional agradável.
Analogamente, um relacionamento conjugal desgastado, arrasta-se e sucumbe de tal forma que a separação não decorre porque se deseja ficar só ou buscar a
companhia de outra pessoa, mas apenas porque não se deseja continuar ao lado
de quem está hoje.
Nossa vida, nos dias atuais, tornou-se alienante, diante de sua rapidez e
senso constante de urgência. Deixamos de valorizar o que temos para projetar
o que não temos, com base nas imposições da sociedade e no ideal de status.
O que realmente vale a pena é aquilo que nos traz serenidade, sossego e paz
de espírito. Que nos permite sorrir de forma autêntica e compartilhar da
convivência das pessoas que apreciamos. Que nos possibilita recostar a
cabeça no travesseiro no final do dia e dormir o sono leve, acolhedor e
reconfortante de quem fez o melhor e se prepara para um novo e edificante
amanhecer.
* Tom Coelho é educador, conferencista e escritor com artigos publicados em
17 países. É autor de "Somos Maus Amantes - Reflexões sobre carreira,
liderança e comportamento" (Flor de Liz, 2011), "Sete Vidas - Lições para
construir seu equilíbrio pessoal e profissional" (Saraiva, 2008) e coautor
de outros cinco livros.
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