domingo, 8 de janeiro de 2012

Obedecer ou Inovar ?

Foto Thiago Muniz

 

Obedecer ou inovar?

Thiago Muniz

Parece filme de terror, mas aos olhos deles, tenebrosa sombra corporativa suga sua criatividade, a sala gerencial torna-se cripta diabólica de advertências e acusações, o coach é espião vingador para exaltar e descobrir suas fraquezas, a equipe são escutas vivas plugadas diretamente ao gerente e seu "lar amargo lar", o seu local de trabalho, é pena de morte em prestação, comprando o seu "suor" e vendendo o seu "pior"!

Eis, com toda essa vampírica gestação, nasce o OBEDÉLCIO!

Esse colaborador, que mais se cala do quê colabora, sofre de uma "bactéria" comportamental chamada "Pânico do Risco", que é identificado facilmente por dois sintomas gravíssimos - o medo do novo e a da perseguição!

"Não posso me destacar aqui!", assim pensa este, que obedece e realiza as tarefas, exatamente como foi pedido, pois "criatividade é autopromoção e quantos perderam seu emprego por quererem ser melhores que os outros". Continua Obedélcio em sua filosofia de "time que ganha não se mexe", pois se o funcionário nunca foi chamado a atenção, é por que a empresa não quer nada diferente!

"Obedélcio vem aqui", ecoa com a firmeza militar da sala gerencial, a voz que estremece as suas fibras mais profundas. Um grupo ao lado se compraz com secas gargalhadas, que para ele são víboras que se disfarçam numa falsa cooperação, mas que na verdade são vítimas do estresse, ávidos por uma promoção e que encontraram erroneamente os caminhos da competitividade

egoísta, mas estão lá dentro de cada um, o colaborador carente, que duramente convive com os ecos tétricos da frase mortal: "não fazem mais do que a obrigação!". Lá fora entre amigos, se acalentam no copo de cerveja, sob a fácil fuga psicológica, amornada com piadas do seu desconexo mundo da insatisfação profissional!

Obedélcio avança a sala do gerente, como escravo do chefe, que tem o poder do seu emprego, assim está cravado no seu maior paradigma que escreve sua missão: "devo agradar sempre o meu superior". "Por que me chamou?", na sua cabeça a química da auto-estima dança a morte do cisne, já imagina que estórias de incompetências suas foram sopradas maquiavelicamente por seus colegas-iscariotes e dá início em frações de segundo a estratégia milenar: "dar com a língua nos dentes" e pensa "já que a traição vem como cavalo de tróia, nas ilusórias gestão de pessoas, utilizarei o mais forte marketing pessoal, olho por olho dente por dente, sendo a forma mais rápida do êxito de um plano de sucessão de

carreira", segue assim Obedélcio.

- "Quero um relatório diferente", taxativo o gerente devolve o documento e esboça seu sorriso de "pode ir".

Obedélcio retorna o seu sepulcro, ouve ainda as risadas concluindo que não era dele, envergonhado senta no trono das decepções, na sua mesa o café ainda quente deixado pelo colega (aquele iscariotes, lembra?), na tela do computador um convite para a partida de futebol, no sábado, do colega "traidor" e um e-mail de agradecimento de outro iscariotes pelo favor de ontem.

No outro dia, o mesmo relatório do Obedélcio na mesa do chefe e o seu bilhetinho de justificativa:

"... já que todos estão também fazendo diferente, se eu também mudar algo, estarei sendo igual a eles, então não alterei nada, para provar que está igual, mas fui diferente!!!".

No outro mês todos tiveram o salário diferente e um bilhetinho do gerente para Obedélcio: "para você eu fui diferente! Também não mudei nada!!! Parabéns!".

"Desatador de nó !!!!", eis a missão do RH, nas entrelinhas da velha saga dos "relacionamentos"! O muro de Berlin, dos refugiados da hierarquia penosa do "coronelismo" administrativo e principalmente a muralha do monstro do medo, deve ser não derrubado, pois é utopia demais, num mundo em que o respeito é barganha do universo dos interesses pessoais, mas sim, abrir-se portas nessa gigantesca divisão, implantando um sistema que batizarei como VCM: "Vamos nos conhecer melhor!".

A verdade é: "todos estão no mesmo barco" e se não conhecermos as forças e os limites de cada um dessa tripulação, os seus medos e as angústias, as suas revoltas e omissões, os seus potenciais e talentos, seus sonhos e desejos, seus preconceitos e antipatias, ou seja, se não jogarmos para fora esse "bicho

praguento" que corrói as realizações mais nobres do cooperativismo, indubitavelmente, entraremos na batalha, sem conhecer o inimigo!!!

Espere! Calma, meus amigos leitores, pois "inimigo" não são as pessoas, mas o quê está entre elas!!!

Batalha é esse Sistema e Gestão de Relacionamentos que a empresa deve implantar, afim de aproximar as pessoas, realizando encontros terapêuticos tipo "divã coletivo" e só assim, então, o sentido de equipe poderá transitar de um lado para outro, no muro de Berlim dos Inter-Relacionamentos Corporativos!!

Os Obedélcios são apenas os colaboradores atormentados pelo excesso de medo, medo de ser feliz!

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