domingo, 8 de janeiro de 2012

A sabedoria, esta virtude...

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A sabedoria, esta virtude...Por ROBSON SANTAREM

Segundo o relato bíblico do livro dos Reis, quando Salomão foi escolhido como rei de Israel, por volta do ano 970 a.C., ainda era muito jovem. Em uma noite, Deus apareceu para ele em sonho e lhe disse que poderia pedir o que quisesse que lhe seria dado. O jovem monarca, humildemente reconheceu as suas limitações e em sua oração, pediu a Deus que lhe concedesse sabedoria para governar o seu povo.

Embora, a Bíblia não seja um livro de ciências ou história, e tampouco um tratado sobre gestão, o livro dos Reis contém alguns dados históricos e principalmente algumas reflexões acerca do reinado de Salomão que podem contribuir também para os gestores de nosso tempo, sejam dirigentes de empresas, líderes e governantes.

Eis, então, algumas das informações que merecem ser refletidas: Salomão reinou sobre todo Israel e tinha subordinado diretamente a ele, entre chanceler, chefe de exércitos, secretários, onze pessoas mais doze prefeitos e doze mil cavaleiros. Organizou a administração, modernizou o exército, promoveu grandes negociações comerciais com outros reinos, produzindo riquezas proverbiais na região, solucionou conflitos, promoveu a cooperação e a prática da justiça. Tendo se colocado como um servidor do seu povo, o seu governo proporcionou abundância de tal modo que todos tinham o que comer e o que beber e eram felizes. Estabeleceu alianças com os reinos vizinhos, o que permitiu ao povo viver em paz com todas as regiões limítrofes e em segurança. Considerado um rei sábio e justo, era visitado por reis e povos de outras nações que lhe procuravam para ouvir suas sentenças e seus conselhos.

Dentre os seus empreendimentos, destaca-se a construção do Templo de Jerusalém, obra de refinada arquitetura e engenharia, onde trabalharam milhares de pessoas, lideradas por cerca de três mil e trezentos homens que comandavam a construção. Para a execução desta portentosa obra, Salomão contratou profissionais especializados, oriundos de outros reinos e empregou os israelitas, segundo as suas competências, e a todos remunerou com justiça.

O templo foi construído em sete anos, com extremo zelo, cuidado com inúmeros detalhes, que sinalizam o foco na qualidade em todas as realizações.

Considerado o mais sábio dos homens, Salomão se tornou conhecido em todas as nações e creio eu, sua experiência como governante e grande empreendedor pode, ainda, ser uma referência para nós, quase três mil anos depois.

Deixou-nos o exemplo do líder servidor, atento para o bem comum e os interesses do seu povo, o que permitiu a abundância, a segurança e a paz com os povos vizinhos. Soube liderar, assim, uma grande equipe, organizada, estruturada e motivada para construir uma das maravilhas do mundo, atento para aspectos importantes como os da competência, habilidade, qualidade, negociação, geração de riqueza e relacionamento, inclusive com ex-adversários que se tornaram parceiros. Tornou-se um conselheiro sábio e uma referência para outros reis e líderes.

Não descuidando da justiça e do cuidado com as pessoas, proporcionou a felicidade ao seu povo, que lhe era agradecido, retribuindo-lhe a dedicação, oferecendo-lhe os seus frutos.

E, quando se desviou do caminho, passando a ostentar e a explorar o seu povo, provocou uma revolta e a derrocada do reino, o que também nos serve como ensinamento.

A escola de Salomão, o MBA que lhe outorgou os títulos registrados pela história e que o fez um grande empreendedor, foi a abertura para o Transcendente, com quem mantinha estreito relacionamento através de uma espiritualidade comprometida com a vida e que o fez aproximar-se do seu povo, para servi-lo com justiça.

Nestes tempos, em que há uma profusão de informações e uma corrida insana pelo conhecimento e por tantos títulos, Salomão alerta-nos que o que mais nos falta é sabedoria. O líder se faz, antes pelo seu autoconhecimento e pela abertura à Transcendência, fonte de toda Sabedoria, que pela busca frenética de conhecimentos. Estes, também importantes, advirão à medida do necessário, ele saberá onde e com quem buscá-lo, principalmente porque compartilha e não se vê como dono absoluto da verdade. Para o sábio importa servir. Importa a justiça e o bem comum. Importa ampliar os relacionamentos e as alianças (por exemplo, hoje, participando de associações e comunidades). Importa a paz e a felicidade das pessoas. Os resultados virão...

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