Cleyson Dellcorso
LIDERAR
E SERVIR - PARADOXO
OU REALIDADE
Em
uma época em que o termo liderar ainda é confuso para um grande
número de pessoas, encontramos um novo líder surgindo nas
organizações: o líder servo.
Não
se trata de uma nova modalidade de liderança, pois este procedimento
é encontrado ao longo da história desde há muitos anos, mas
ultimamente, verdadeiros líderes vêm se conscientizando da
necessidade de liderar e servir, que para muitos é a única forma
perene da liderança.
O
termo líder-servo une dois opostos cujo entendimento depende da
sensibilidade das pessoas. O líder servo é a união dos dois
extremos: lidera e serve a equipe sob seu comando.
Indivíduos
que praticam cada um destes conceitos isoladamente apresentam
comportamentos diametralmente opostos, porém aqueles que os praticam
em conjunto têm uma liderança verdadeiramente eficaz. O servo está
sempre disposto a ser útil, segue ordens, mas mantém em seu coração
a disposição de proporcionar o bem estar ao próximo. O líder é
aquele que vê mais longe, enxerga sobre os ombros dos outros e traz
sobre si a responsabilidade de levar um grupo a um objetivo
pré-determinado. O grupo segue o líder porque ele conhece o caminho
e o mostra à sua equipe, que confia no seu comando.
O
líder servo é um agente de mudanças, pois consegue transformar um
sonho em realidade, com ações baseadas na sua visão, que é ampla
e dirigida ao bem comum. Ele consegue servir sem perder a liderança,
estreitando relacionamentos e trazendo cada vez mais seguidores para
o seu convívio. Os liderados têm satisfação e prazer em colaborar
para que objetivos sejam atingidos, solidificando sobremaneira o
relacionamento entre os membros da equipe, reduzindo drasticamente o
espírito competitivo, onde todos sabem o que querem e onde pretendem
chegar, e formando um conjunto harmonioso costumam atingir todas as
metas determinadas.
Organizações
têm gasto milhões de reais em treinamentos e seminários visando
incutir em seus colaboradores a necessidade e disposição de
sentirem-se co-proprietários e “vestir a camisa da empresa”, no
que os líderes têm alcançado algum sucesso com suas equipes, mas
dificilmente conseguido transferir este sentimento do grupo em
relação a empresa.
As
equipes lideradas por um líder servo são eficazes e muito
produtivas, onde todo o grupo compartilha conhecimentos e pratica o
mentoring mútuo com nítidos benefícios ao grupo e à organização.
Esta
necessidade nos alerta para que os lideres passem por um processo que
os transformem em servos sem perderem a sua liderança, o que implica
em aprender muitas coisas e desaprender outras.
Antes
de tudo é primordial que haja um deslocamento da necessidade
de realizar, bastante
presente no líder, para o desejo
de ser. O ser
aflora o servir
que conduz ao nascimento de um líder servo. Neste processo precisa
ficar bastante transparente que o compromisso dos membros de uma
equipe passa a ser com os princípios e não com os chefes,
sepultando o antiquado “culto à personalidade”.
O
resultado das atitudes de um líder-servo é uma nova visão de
homem, um conceito de poder e valores organizacionais diferentes dos
praticados atualmente, pois integra o trabalho, a família e humaniza
a organização, tornando-a um meio de crescimento pessoal e de
autorealização.
Uma
pergunta bastante instigante sobre liderança pode ser encontrada no
livro O Vôo do Búfalo,
de BELASCO & STAYER: Manadas de búfalos costumam seguir
cegamente seus líderes, enquanto os pássaros voam em "v",
ou seja, na impossibilidade de liderança daqueles que vão à
frente, os demais assumem a direção do vôo, cada qual em sua vez,
sem prejudicar a trajetória. O desafio que o livro coloca é: como
colocar os búfalos em "v"?
O
meu conselho é que os “líderes” búfalos esqueçam algumas
coisas e aprendam outras, entre elas que consigam fazer suas equipes
tornarem-se comprometidas com o bem comum, com o líder servindo a
todos e todos servindo o líder.

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